Georadar, uma breve abordagem histórica.

O Radar de Penetração no Solo (Ground Penetrating Radar), usualmente conhecido por georadar, é um equipamento utilizado em prospeção geofísica.

As técnicas de georadar são muito expeditas, não destrutivas, não invasivas e permitem investigar o subsolo através de radiação eletromagnética. O método consiste na emissão de uma onda eletromagnética através de uma antena transmissora e posterior receção das reflexões por uma antena recetora. Estas são provocadas por contrastes nas propriedades dos materiais atravessados, nomeadamente a permissividade elétrica. A seleção da frequência da antena depende do âmbito em estudo, profundidade e dimensões dos alvos potenciais, variando normalmente entre 10 e 2000 MHz.

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Atualmente este método é utilizado para diversas aplicações, mas a primeira utilização remonta ao início do século passado. Em 1904, Hulsmeyer investigou objetos soterrados através da aplicação de ondas eletromagnéticas. As primeiras tentativas de prospeção com o que podemos designar de Georadar foram efetuadas em 1929, na Áustria, com o objetivo de determinar a espessura de um glaciar. No início da década de 1930 foram desenvolvidos trabalhos pioneiros no campo da exploração mineira na Suécia, bem como trabalhos de cartografia estrutural em explorações de hidrocarbonetos.

Durante a segunda guerra mundial, este método sofreu uma grande e importante evolução, sobretudo pela sua capacidade de detetar submarinos a partir de aviões e para ajudar a planear mais detalhadamente grandes bombardeamentos aéreos como os realizados pelos aliados sobre alvos alemães.

No ano de 1967, o GPR foi utilizado pela primeira vez numa missão espacial (Apollo 17), numa tentativa de avaliar as condições do solo em locais de futuras alunagens e na guerra do Vietname pelo exército Americano, na deteção de túneis norte-vietnamitas.

Em 1970 foi fundado o GSSI (Geophysical Survey Systems Inc.), líder mundial no desenvolvimento de sistemas de GPR. Em 1971, esta empresa lançou no mercado o primeiro aparelho comercial de georadar e, em 1974, vendeu o primeiro equipamento portátil. Desde então, têm surgido inúmeras publicações abrangendo todos os domínios de aplicação do georadar. Este equipamento apresenta uma grande viabilidade e diversidade no âmbito da prospeção geológica e geotécnica, sobretudo para detetar estruturas geológicas, contactos, propriedades dos solos, nível freático, entre outras. Em engenharia civil e em arqueologia tem-se sentido um aumento na procura do GPR, principalmente pelo facto deste método ser não destrutivo. Entre as diversas aplicações estão a localização de tubagens enterradas, avaliação de espessuras das várias camadas constituintes dos pavimentos de estradas, análise e controlo do betão e localização de artefactos. O georadar também é utilizado para deteção de plumas de contaminação e cunhas salinas, bem como para determinar o teor de humidade de um solo (muito importante na agricultura). As suas diversas aplicações fizeram surgir empresas que utilizam este equipamento para determinar, por exemplo, a idade e o “estado de saúde” das árvores, tal como a TreeRadar e a Dynamic Tree Systems.

Outra área científica que muito beneficiou com o desenvolvimento do georadar foram as ciências forenses, tendo-se assistido a uma ampliação da sua utilização, sendo este equipamento usado por cientistas forenses e agentes da autoridade para detetar e identificar sepulturas, valas, corpos de vítimas de homicídios e indícios de outros crimes. Para quem gosta de CSI New York, a 5 de Maio de 2010 foi transmitido um episódio (“Tales from the Undercard“) em que é possível observar a utilização do GPR para a descoberta do corpo de um ex-pugilista enterrado no meio do cimento.

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E vocês Geólogos, o que costumam procurar com o georadar?

José Ferreira |

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Referências Bibliográficas

Abreu D. (2013). Técnicas de diagnóstico utilizadas em Engenharia civil. Dissertação de Mestrado, Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, Portugal.

Annan AP. & Davis JL. (1997). Ground Penetrating Radar—Coming of Age at Last!! In “Proceedings of Exploration 97: Fourth Decennial International Conference on Mineral Exploration” edited by A.G. Gubins, 1997, p. 515–522.

Barraca N. (2013). Aplicação da técnica Georadar à reabilitação de património edificado. Dissertação de Mestrado, Universidade de Aveiro, Portugal.

Fernandes F. & Lourenço P. (2007). Aplicações do georadar na reabilitação e detecção de anomalias. 3º Congresso Nacional de Construção, Universidade de Coimbra, Portugal.

Franco D. (2010). Avaliação das potencialidades do georadar em Engenharia Civil. Dissertação de Mestrado, Universidade de Aveiro, Portugal.

Gonçalves L. (2013). Estudo geoarqueológico com Georadar. Aplicação aos contextos arqueológicos da Pré-História recente à Proto-História do NW de Portugal. Dissertação de Doutoramento, Universidade do Minho, Portugal.

Grangeia C. & Matias M. (2004). Técnicas de georadar em prospecção arqueológica: Ançã e S. Martinho de Árvore. Revista Portuguesa de Arqueologia, Volume 7, Número 2, 2004, p. 427-434.

Pedrosa M. (2009). Caracterização da fundação de infra-estruturas de transporte com recurso ao georadar: Identificação das Camadas de Apoio. Dissertação de Mestrado, Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, Portugal.

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