Gago Coutinho: O pai da engenharia geográfica

O Almirante Gago Coutinho foi um português singular e o impulsionador da Engenharia Geográfica em Portugal, tendo em 1921 criado o curso com o mesmo nome na Universidade de Lisboa.

Foi sem dúvida um homem do Renascimento, cartógrafo, geógrafo, historiador e cientista.

Carlos Viegas Gago Coutinho, nasceu em Lisboa a 17 de Fevereiro de 1869 e em 1896 ingressa na Armada Portuguesa. Mas o seu percurso profissional não se resume à vida militar e o seu contributo divide-se em quatro áreas: a marinha, os trabalhos geográficos, a navegação aérea e a história náutica dos descobrimentos.

Em Timor, Moçambique, Angola e S. Tomé desenvolveu trabalhos na área da geodesia e delimitação de fronteiras; em Timor (1898-1899) delimitou a fronteira com parte da ilha ocupada pelos holandeses; em Moçambique (1900) demarcou fronteiras no Zambese e no lago Niassa e, entre 1915 e 1918, estabeleceu marcos para a criação de uma rede geodésica em S. Tomé. No entanto os seus feitos não se ficariam por aqui, tendo também ficado célebre pelo trabalho científico desenvolvido na navegação aérea astronómica. Gago Coutinho deparou-se com uma grande dificuldade na definição da linha do horizonte a uma altura normal de voo. O sextante até à altura utilizado não permitia efectuar medições precisas. Perante este problema, o almirante desenvolveu um sextante com horizonte artificial, denominado pelo autor como “astrolábio de precisão” que permitia materializar um horizonte artificial através de um nível de bolha de ar.

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Sextante criado por Gago Coutinho (Instituto Camões)

Em colaboração com Sacadura Cabral construiu um novo instrumento, o corretor de rumos, que permitia calcular o ângulo entre o eixo longitudinal da aeronave e o rumo a seguir. Em 1922, para demonstrar a eficácia destes instrumentos realizou com sucesso a travessia do Atlântico Sul entre Lisboa e o Rio de Janeiro.

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Travessia do Atlântico (Instituto Camões)

A partir de 1925 dedica-se à história náutica e publica várias obras sobre as navegações portuguesas. Embora o seu trabalho e memória ainda perdurem entre nós, a sua vida terminou em 1959 na mesma cidade que o viu nascer, Lisboa.

Saudações geográficas!

Andreia Sousa |Engenheira geógrafa| www.sinergeo.pt

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